quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Quando a coisa tá mais pra Guaraná Jesus...

Não é engraçado quando a gente quer muito uma coisa, mas muito mesmo, daí quando consegue, não é tão legal quanto quando a gente queria?

Exemplo: A menina M tem uma paixonite aguda pelo garoto H, aquele pop da escola, mas, no hope. Daí um belo dia o piá tem uma luz e pede pra ficar com a menina. Aí, óbvio, ela fica. Mas aí o piá de longe era mais bonito, mais querido, mais interessante. De perto é um completo idiota.

Ou quando você quer trabalhar num lugar, sonha com isso todas as noites... Daí quando entra, não era toda essa Coca-Cola.

Às vezes sonhar é melhor que viver...

Ou talvez melhor seja arrumar outra coisa pra almejar.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Minha mãe disse que eu deveria ser mais educada...

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Não é como se eu tivesse uma doença contagiosa mortal, sabe...

Estou lendo outro livro do Paulo Coelho.

Controle-se! Inspire, expire. De novo. Use seu diafragma. Pronto?

Dessa vez é "Veronika decide morrer". E está saindo melhor que a encomenda. Claro, Paulo Coelho é uma literatura de muitas faces, você tem que escolher o que vai levar do livro. Ele trata de muitas coisas ao mesmo tempo, e tem umas que você simplesmente ignora u_u' Em "Veronika" ele fala sobre padrão de vida, sobre como a gente reprime sonhos, vontades, impulsos e como isso acaba sufocando. Fala sobre pessoas que se sentem vazias (e quem nunca se sentiu?). E claro, fala sobre viagens astrais, a parte que eu relevo XD

Mas é engraçado, porque o Paulo Coelho prega a fé, não seguindo padrões religiosos, mas às vezes ele coloca que você tem que acreditar em alguma coisa. E eu concordo. Mas tem um trecho desse livro que fala sobre uma mulher que sofreu de depressão e estava em um sanatório, a Mari. Ela era advogada antes de ficar doente...


Pena que Allah, Jeovah, Deus - não importa que nome lhe dessem - não tivesse vivido no mundo de hoje. Porque, se assim fosse, nós todos ainda estaríamos no Paraíso, enquanto Ele estaria ainda respodendo a recursos, apelos, rogatórias, precatórias, mandados de segurança, liminares - e teria que explicar em inúmeras audiências sua decisão de expulsar Adão e Eva do Paraíso - apenas por trangredir uma lei arbitrária, sem nenhum fundamento jurídico: não comer o fruto do Bem e do Mal.
Se Ele não queria que isso acontecesse, por que colocou a tal árvore no meio do Jardim - e não fora dos muros do Paraíso? Se fosse chamada para defender o casal, Mari seguramente acusaria Deus de "omissão administrativa", porque, além de colocar a árvore em lugar errado, não a cercou com aviso, barreiras, deixando de adotar os mínimos requisitos de segurana, e expondo todos que passavam ao perigo.
Mari também podia acusá-lo de "indução ao crime": chamou a atenção de Adão e Eva para o exato local onde se encontrava. Se não tivesse dito nada, gerações e gerações passariam por esta Terra sem que ninguém se interessasse pelo fruto proibido - já que devia estar numa floresta, cheia de árvores iguais, e portanto, sem nenhum valor específico.
Mas Deus não agira assim. Pelo contrário, escreveu a lei e achou um jeito de convencer alguém a transgredi-la, só para poder inventar o Castigo. Sabia que Adão e Eva terminariam entendiados com tanta coisa perfeita, e - mais cedo ou mais tarde - iriam testar Sua paciência. Ficou ali esperando, porque talvez também Ele - Desu-Todo-Poderoso - estava entendiado com as coisas funcionando perfeitamente: se Eva não tivesse comido a maçã, o que teria acontecido de interessante nestes bilhões de anos?
Nada.
Quando a lei foi violada, Deus - o Juíz Todo-Poderoso - ainda simulara uma perseguição, como se não conhecesse todos os esconderijos possíveis. Com os anjos olhando e divertindo-se com a brincadeira (a vida para eles também devia ser muito aborrecida, desde que Lúcifer deixara o Céu), Ele começou a caminhar. Mari imaginava como aquele trecho da Bíblia daria uma bela cena num filme de suspense: os passos de Deus, os olhares assustados que o casal trocava entre si, os pés que subitamente paravam ao lado do esconderijo.
"Onde estás?", perguntara Deus.
"Ouvi seu passo no jardim, senti medo e me escondi, porque estou nu", respondera Adão, sem saber que, a partir dessa afirmação, passava a se réu confesso de um crime.
Pronto, através de um simples truque, em que aparentava nã saber onde Adão estava, nem o motivo de sua fuga, Deus conseguira o que desejava. Mesmo assim, para não deixar nenhuma dúvida à platéia de anjos que assistia atentamente ao episódio, Ele resolvera ir mais adiante.
"Como sabes que estás nu?", dissera Deus, sabendo que esta pergunta só teria uma resposta possível: "Porque comi da árvore que me permite entender isso".
Com aquela pergunta, Deus mostrou a seus anjos que era justo, e estava condenando o casal com base em todas as provas existentes. A partir dali, não importava mais saber se a culpa era da mulher, nem pedir para ser perdoado; Deus precisava de um exemplo, de modo que nenhum outro ser - terrestre ou celeste - tivesse de novo o atrevimento de ir contra as Suas decisões.
Deus expulsou o casal, seus filhos terminaram pagando também pelo crime (como acontece até hoje com os filho de criminosos), e o sistema judiciário fora inventado: lei, transgressão da lei (lógica ou absurda, não tinha importância), julgamento (onde o mais experiente vencia o ingênuo) e castigo.



É tudo uma questão de ponto de vista, como no Direito...