Sobre o meu país
Esses dias estava lendo no blog do Nítio sobre os R$80 mi cedidos pro comitê que quer trazer as Olimpíadas de 2016 pra cá. Eu acho um desbunde dois eventos esportivos grandes em tão pouco tempo, mas que sei eu das coisas né?
Mas aí os comentários e reflexões do post levaram à outra pauta: que diabos de país é esse?
E nessas horas eu vejo como eu sou patriota. Eu nunca saí daqui, mas eu acredito piamente que o Brasil é o melhor país do mundo. Tem um monte de problemas, mas pra um bebê como nós, a gente até que se destaca.
E eu fico fu da cara quando alguém vem com o discursinho "essa merda de país". Vai embora então! Não consegue visto? Vai clandestino então! Se abraça num motor de caminhão e reza pra conseguir passar pela fronteira.
Acho que quem nasceu em país de terceiro mundo tem que vestir a camisa e parar de reclamar. Antes de pôr a culpa no governo e no povo que não sabe votar (do qual todos nós fazemos parte), é bom pensar sobre o que você, individualmente, está fazendo pro seu país melhorar. E bom, modéstia a parte, eu acredito sim que faço minha parte, que não é só pagar impostos e receber o recibinho das eleições.
E quando se diz que o povo tem os governantes que merece, é injusto. Porque é razoável pensar que o mais sensato seria votar em um candidato com conhecimento de causa, com um mínimo de domínio teórico etc etc etc. Mas eu, que sou preto e pobre, vou votar num branquelo de nariz torto que estudou nos melhores colégios e fez doutorado em ciências políticas na Europa? Como diabos esse cara vai me representar? O que esse cara sabe das minhas necessidades?
Claro, às vezes o próprio povo não sabe do que precisa, ou acha que precisa de algo totalmente secundário. Mas é cultural. Eu procuro meu semelhante como líder.
O que ninguém parece entender ou aceitar é que mudanças do tipo "um congresso que pare de atender apenas às demandas da própria calsse" não acontecem em uma semana, em uma eleição. Eu posso viver cem anos e não verei o Brasil do jeito que eu acho que ele deveria ser. Muito menos acho que tentar convencer a população a votar nulo resolva as coisas. Mas sutilmente eu vejo as coisas mudarem. E acredito que pra melhor.
Talvez seja muito idealismo, ou muita fé. Mas eu acredito na minha geração e nas próximas.

5 Comments:
Eu também acredito na nossa geração, "companheira"!
Junho 18, 2008 10:46 PM
ehehehe
eu vivo na pele essa emoçao
e posso dizer que prefiro o brasil...
cada pais tem seus altos e baixos...
mas eu prefiro morar ai... logo to de volta
ehehhe
beijo moça
Junho 19, 2008 3:44 PM
Eu não sei até que ponto você pode se orgulhar de algo que você não tem nenhum poder de escolha. Isso dito, democracia é o modo de governo que permite ao povo ter o povo que merece. Não no sentido de mérito, como você colocou, mas no sentido de escolha. Se você faz má escolhas, é apenas justo que você tenha que aceitar as conseqüências delas, não? Gosto disso de responsabilidade, de "ok, o país está longe de ser o que eu gostaria que fosse. mas que tal, só pra agitar as coisas, tirar a bunda gorda da cadeira e fazer alguma coisa pra mudar?", porque é o que aconteceu nos EUA com nas décadas de 60 e 70 - e no meu limitadíssimo conhecimento histórico, é uma das coisas que criaram a situação de hoje. E, no fim, não importa o que o povo precisa; importa o que o povo quer. Se é o (des)contentamento dele que pode (ou não) continuar um governante, ele tem que ser agradado. E é meio difícil você ensinar alguém a pescar quando não se tira o olho do cesto de peixes do lado, não é?
Junho 20, 2008 7:10 AM
Eu concordo com vários pontos do seu pensamento, como quando você fala que quem não gosta do Brasil que se mude para outro país. Não é uma questão de gostar de como está o país, mas como ele é. Porém, eu acredito também que todo povo tem sim o governante que merece. Digo povo como maioria da população, não uma minoria. Todos sabemos que o poder, pela própria Constituição emana do povo e a ele pertence. Quem governa, na verdade recebe uma "procuração" de quem o elegeu. Mas é difícil convencer alguém que vive de bolsa-família de que é preciso combater o corrupto que lhe dá migalhas.
Também concordo quando o Anthuan faz o link com as décadas de 60 e 70 dos EUA. Porém, acredito que aqui no Brasil falte um verdadeiro líder que motive o povo a sair de suas cadeiras e exigir mudanças. Esse ano vemos nostalgia em todas as partes mais cult da sociedade em relação ao ano de 1968 e sobre toda uma geração que lutou contra o Regime. O que falta à nossa geração é uma clareza sobre contra o que lutar. O que o povo não vê é que prender Prefeitos por 1 semana, um Deputado ou Senador renunciar ao cargo não são solução para nada, pois o problema é estrutural, regimental.
Junho 21, 2008 7:49 PM
não sei se concordo com vc
não acredito q o Brasil seja o melhor país do mundo, e não é pq eu acho q outro país seja, mas qdo vc acredita q é o melhor vc não se esforça pra melhorar. Vc pode amar alguma coisa sabendo q ela tá longe de ser perfeita e acho q existem dois tipos de patriotismo. Um é o patriotismo idiota, q acha q seu país é melhor e ponto, não consegue ver suas fraquezas e não consegue admirar as qualidades q outros países possam ter, não admite mudanças e acha q suas limitações "fazem parte da cultura" e devem ser aceitas e não alteradas. E o outro tipo é o patriota q se esforça pra mudar o ambiente q vive, não pq seu país é o melhor do mundo e nem pq as pessoas q vivem nele são as melhores, as mais simpáticas ou mais inteligentes, mas pq mudar e evoluir é uma necessidade.
Uma coisa q eu não gosto no Brasil, é q parece q ao invés da corrupção e da precariedade dos serviços despertarem sentimento de mudança e de revolta na população, a maioria das pessoas tendem a se acomodar com isso pq "o nosso país é lindo, o povo é maravilhoso, Deus é brasileiro e q q a gente pode querer mais?"
pronto, falei demais já hahaha
gosto mto dos seus posts
bjos
Junho 22, 2008 11:03 PM
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