Larga esse pau minha filha!
Eu às vezes acho que deveria escrever um livro só sobre as coisas bizarras que eu presencio em ônibus. Sério. É no transporte coletivo que o ser humano coloca pra fora todo seu instinto predador, egoísta e às vezes aquele lado que prova que nós descendemos dos macacos mesmo.
Hoje eu vou falar de um espécime (espécime é o ó, falaí) que eu tive a luz de batizar de "stripper de busão". Normalmente é uma mulher, mas o espírito do stripper de busão eventualmente se apodera dos homens também.
Sabe aquelas barras de metal que tem pelo ônibus inteiro que servem para que os desafortunados que não conseguiram se sentar não saiam voando por motivo da inércia? Então, uma pessoa em plena saúde emocional apóia-se neles com uma mão. E só. Mas um stripper de busão, não. Ele não. Ele entrega-se de corpo e alma à barra de segurança. Envolve com o braço inteiro, cola a lateral do corpo. São amantes recentes, com toda a volúpia que um novo relacionamento proporciona. Você sabe que a pessoa está à beira da dependência doentia quando ela encosta a cabeça na barra. Aí é caso perdido.
Parece mesmo que a pessoa está prestes a rebolar até o chão, fazendo da barra de segurança seu instrumento provocador. É um desbunde!
Na verdade, eu não vejo problema nenhum em a pessoa compartilhar dos germes que todas as centenas de pessoas depositaram lá durante todo o dia. O problema é quando você só tem aquela barra pra se apoiar. E ela está ocupada amando uma pessoa carente. Você não quer tocar na pessoa, óbvio, ainda mais num momento íntimo como aquele. Juro pelo meu scarpin preto, eu um dia vou dizer:
Larga esse pau minha filha!
